Convidamo-lo a criar um "Lugar Sagrado" no seu dia e a passar dez minutos a rezar, aqui e agora, em frente do computador, com orientações no ecrã e com a leitura escolhida especialmente para cada dia
Para pensar e rezar durante esta semana
As imagens da vida depois da
morte devem ser cuidadosamente apresentadas. As mais antiquadas – da morte, do
purgatório, do inferno, do limbo – mostravam Deus como um juiz impiedoso
cobrando um preço elevado pelos nossos erros. Como evocar mais precisamente o
amor ilimitado de Deus para connosco? O bem-aventurado Cardeal Jean Henry
Newman recorda-nos que o espírito humano não consegue fazer melhor que utilizar
sombras e imagens, enquanto não alcança a plena luz da verdade. “Agora vemos
como num espelho, de maneira confusa” (1 Cor, 13,12). Reconheçamos portanto a
incapacidade fundamental do pensamento e linguagem humanos para reflectir o
espírito de Deus. São Tomás de Aquino, que redigiu volumes inteiros sobre Deus,
observou que nós estamos reduzidos a balbuciar para falar Dele, e que as suas
próprias linhas não passavam de vento. Todas as representações de Deus são por
natureza deficiente, mas são o que temos, por isso devemos recorrer a elas o
melhor possível. Não devemos renunciar a querer dizer algo sobre Deus e sobre o
mundo que há-de vir. A imagem do Vaticano II da Igreja a caminho pode-nos
reconfortar. Os peregrinos avançam por caminhos íngremes, ajudando-se entre si,
por todos os meios, para atingirem as suas metas. Nos cruzamentos, estudam os
caminhos aparentemente mais promissores, e dão meia volta quando se enganam. Um
teólogo francês utiliza o exemplo da natação: a cada braçada, empurramos uma
quantidade de água progredindo em direcção ao nosso objectivo. Alcançamo-lo,
mas sem aquela água nunca lá chegaríamos. Os bons exemplos apontam na direcção
da realidade: orientam-nos na boa direcção. Existe um ditado Zen sobre um
agricultor que indica a lua com uma cenoura. Era o melhor que ele podia fazer
para apontar aos outros aquela realidade fantástica! Uma luz cor-de-laranja
pisca quando nos aproximamos da esfera do divino: não nos proíbe de entrar, mas
previne-nos: “Cuidado onde põem os pés!”



